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21/06/2008 23:35
Hora da faxina.
Jogar fora textos que não prestam, deixar apenas os que prestam.
Já fiz isso uma vez, farei novamente, garimparei meus textos até o último cascalho.
Para que ficar juntando pedriscos e deixando os diamantes sem atenção?
Não vale a pena olhar o passado, a não ser que no passado hajam sombras gloriosas do porvir. É dessas sombras gloriosas que tiramos a "saudade de futuro", onde nos entusiasmamos, onde sonhamos sonhos bons de tranquilidade e boas conquistas. Olhar para as sombras do passado, exceto quando à guisa de obter lições, é infrutífero e doloroso. Do passado devemos tirar apenas coisas boas. Das coisas ruins, tiremos coisas boas também.
Por isso, não vale a pena ser lavrado em papel a mágoa, a tristeza, o medo, a insegurança, o desânimo. Sejam estas palavras apenas símbolos de coisas que não nos fazem tropeçar mais. Sejam palavras prontas de nossas bocas e nossas penas a esperança, a beleza, o sonho, a saudade de futuro, o entusiasmar-se.
Para tanto, meus amigos,
É hora de começar a faxina.
enviada por Lucas
31/05/2007 22:49
Uma bela notícia...
Gente, são coisas assim que me fazem acreditar que esse mundo pode ser um lugar melhor, mais humano, mais amigo. Leiam esta notícia:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/05/070529_rock_zimmers_idosos_mv.shtml
Será que está acontecendo aquela antiga profecia, em que os velhos voltariam a sonhar? :)
enviada por Lucas
02/11/2006 01:21
Retirada
(Elomar)
Vai pela estrada enluarada
Tanta gente a retirar
Levando só necessidade
Saudades do seu lugar
Esse povo muito longe
Sem trabalho, vem pra cá
Vai na estrada enluarada
Tanta gente a retirar
Um ano para a cidade
Sem vontade de chegar
Passa dia, passa tempo
Passa o mundo devagar
Lembrança passa com o vento
Pedindo não retirar
Tudo passa nesse mundo
Só não passa o sofrimento
Na estrada enluarada
Tanta gente a retirar
Sem saber que mais adiante
Um retirante vai ficar
Se eu tivesse algum querer
Nesse mundo de ilusão
Não deixava que a saudade
Associada com penar
Vivesse pelas estradas
Do sofrer a mendigar
Vai pela estrada enluarada
Tanta gente a retirar
Levando nos ombros a cruz
Que Jesus deixou ficar
Eu não canto por saber
Nem tanto por reclamar
Tenho a vida de labuta
Canto o prazer, canto a dor
Que às vezes até labuto
O que Deus do céu não mandou
Vai pela estrada enluarada
Tanta gente a retirar
Passando com traça e vento
Bebendo fé e luar
enviada por Lucas
22/09/2006 21:28
Às vezes, em nossa caminhada, nos desanimamos e cansamos. Como é difícil ir adiante... muitas vezes há situações na vida em que simplesmente perdemos o chão, e a tristeza nos assola. Isso já me aconteceu diversas vezes, e aconteceu com você e com várias outras pessoas também. É nessas horas que a gente tem que confiar no caráter de Deus, e lembrar-se de todo o bem que ele fez em nossas vidas.
Depois eu escrevo mais sobre isso.
enviada por Lucas
21/08/2006 16:06
Eu estava, há alguns dias atrás, pensando numa coisa que é um contrasenso para mim.
Pense bem: se eu desejo uma coisa, eu tenho que fazer para merecê-la. Se eu quiser um carro, tenho que trabalhar para conseguir dinheiro para comprá-lo. E para eu conseguir um emprego, eu tenho que estudar muito para consegui-lo. E por aí vai. Eu diria que praticamente todas as coisas do mundo são assim: a gente tem que ser merecedor e digno daquilo que vamos receber.
Só que eu estava pensando em duas histórias que eu li que me deixaram um pouco surpreso. Essas duas histórias foram contadas por Jesus, e me revelam uma coisas curiosa: nem sempre as coisas são assim entre nós e Deus. Bom, eu vou contar apenas uma dessas duas histórias aqui, para vocês entenderem o que me surpreendeu.
Conta Jesus que dois homens foram ao templo de Jerusalém para orar. Um era guardador ferrenho da lei de Deus e extremamente religioso. O outro era cobrador de impostos. Tirava dinheiro do seu próprio povo, especialmente das pessoas pobres e o dava para Roma, império que dominava Israel naquela época.
O primeiro chegou junto ao altar e orou mais ou menos assim: "Senhor Deus, muito obrigado por eu ser guardador fiel da tua lei, por não faltar em nenhum dos seus mandamentos, de dar o dízimo, de orar a ti três vezes por dia. Muito obrigado por eu ser assim, e não como esse cobrador de impostos, esse pecador que aqui está."
Enquanto isso, o cobrador de impostos ficou bem longe do altar, na porta do templo, e nem tinha coragem de levantar os olhos. Sentia uma vergonha profunda, e um senso de indignidade maior ainda. Entre suas lágrimas, ele apenas conseguia dizer o seguinte em sua oração: "Senhor, tem pena de mim".
E Jesus termina essa história perguntando: afinal de contas, Deus ouviu com mais atenção e com mais alegria a oração de qual dos dois?
Pois é, a resposta é essa mesma. Deus se alegrou com a oração do cobrador de impostos. É curioso pensar nisso: o homem que era digno orou, mas se sua oração não alegrou a Deus, ao passo do que não era digno, profundamente arrependido, teve sua oração ouvida com alegria por Deus.
Você pode pensar: "Mas isso não é justo! Porque Deus não se alegrou com a oração do homem religioso?". A resposta é simples: Deus deseja muito mais nos tratar como filhos do que esperar que façamos alguma coisa piedosa. Deus quer muito mais brincar conosco do que esperar que façamos o dever de casa. Mas nós, no nosso coração movido por mérito, pensamos o contrário. Pode sim haver coisas na nossa relação com Deus que são regidas por mérito e dignidade. Mas o principal, o ponto de partida, não é dado por mérito.
E essas são as boas novas que Deus nos quer transmitir: Deus nos quer tratar como filhos. E mesmo que nos nossos acessos de loucura nos tenhamos rasgado nossas certidões de nascimento, Deus ainda assim alenta o desejo de nos adotar, mesmo que sejamos filhos legítimos.
Então, acho que a primeira grande bênção que Deus nos pode dar é um pequeno sentimento de indignidade quando desejamos conversar ou nos relacionar com Ele. Sentir-se indigno não é ruim. O ruim é quando deixamos esse sentimento de lado e tentamos nos fazer dignos. Isso é péssimo, e recomendo a vocês que não façam isso.
Mas se vocês me perguntarem sobre o que fazer com esse sentimento, eu digo: o sentimento de indignidade é uma chave preciosa, é o gatilho para uma grande transformação de nossas vidas, uma transformação de dentro para fora que nos levará rumo à perfeição. Precisamos fazer apenas uma coisa com essa chave: colocá-la na fechadura e girar.
Mais nada.
enviada por Lucas
06/07/2005 01:32
"Na minha vida tão agitada,
na alma exposta ao tormento de tanto vento - o lençol, no varal, lá fora, que estala violento
contra si mesmo e contra o Bento - , eis-me, finalmente, velho e sem idade
com o vendaval que, desde sempre, estrala, no espaço onde se dispersam as estrelas.
Que fazer?
Mudar o mundo, justo em seu fim, ou, mais custoso ainda, a mim?
Nem um, nem outro: - cultivar docemente meu jardim."
(Bento Prado Jr.)
enviada por Lucas
09/05/2005 13:01
Quando o inverno vem chegando e as sombras vão se alongando junto com a duração das noites, dá uma pontada de melancolia no coração. Também pudera: o verão, que tinha chegado com tanta luz, fazendo tudo parecer mais alegre, de repente resolve fazer as malas para luzir em outro canto, sem maiores explicações. Nessa hora, quando a luz vai embora, tudo fica um pouco mais triste, e dá uma vontade no peito de ir junto com o sol...
Na minha infantilidade, penso às vezes que o inverno, ao chegar, resolve roubar por puro ciúme a beleza das coisas. Se eu pudesse colocar palavras na boca do inverno eu colocaria as seguintes: "Já que eu não posso dar a beleza às coisas, como o verão dá, então eu vou roubá-la de todas as coisas!".
Só que nessa hora eu resolvo pensar um pouco mais a fundo sobre as
coisas que perderam a beleza como fim do verão e concluo o seguinte: as coisas que ficaram feias por falta de luz não eram realmente bonitas. Elas apenas pareciam ser. A luz do sol apenas maquiava sua feiúra. Com a falta de luz, brotou sua essência. Não, na verdade elas nunca foram feias. Apenas não foram suficientemente bonitas para resistir à falta de luz.
Comprei tulipas para mim nesse final de semana. Elas estavam lá na estante da floricultura, me chamando. Não resisti: tirei os últimos tostões da minha carteira para comprá-las. E não me arrependo, pois essas florezinhas é que me inspiraram a pensar na beleza das coisas e a escrevê-las aqui. Olhem só para as tulipas: é na época de frio e de pouca luz que elas florescem e emanam sua beleza. Elas são belas por natureza, não dependem da luz do sol para ficarem bonitas. Sua beleza estarrece a lógica da natureza. Surgem do inesperado, do frio, do tempo nublado, da falta de luz. E no meio desse ambiente inóspito e escuro, elas luzem, fazendo-nos lembrar do que é realmente belo.
Às vezes, na minha arrogância, chego a pensar que sou belo. Belo de coração, de caráter, de vida. Na verdade, não sou. Apenas pareço ser. Pareço ser porque houve um e apenas um homem belo sobre a face da Terra. E ele, com sua beleza, pode fazer com que todas as coisas possam parecer belas. E é nessa beleza que me ilumino, e me ilumino para que as pessoas vejam não a minha luz, mas a luz daquele que me ilumina. Digo isso porque, por várias vezes eu pensei que tinha luz própria, e das vezes que pensei nisso e resolvi sair do foco da luz, vi a minha escuridão. E não só eu vi, outros viram também. Viver da luz daquele que brilha eternamente é uma grande lição de humildade...
Agradeço a Deus por ter me concedido a graça de conhecer essas tulipas.
Agradeço a Deus a oportunidade de viver não pela minha luz.
E quando o Sol voltar, que eu me lembre que as coisas debaixo do sol
apenas pegam emprestada a sua luz, e que eu tenho uma luz que foi comprada e me dada de graça.
Que essas palavras e essas tulipas alegrem o coração de vocês assim como alegrou o meu.

enviada por Lucas
02/04/2005 17:03
Estou feliz e em paz. :)
Meu coração está cheio da de perdão e da beleza dAquele que se entregou e que vive eternamente.
Louvado seja Deus. :)
enviada por Lucas
04/02/2005 16:38
Ano-novo
(por Frei Betto)
Feliz ano-novo aos que acordarem em 2005 sem a ressaca da culpa, plenos de vida na qual a paixão sobrepuja a omissão e o encanto tece luzes onde a amargura costuma bordar teias de aranha.
Feliz ano a quem não sonega afetos, arranca de si fontes onde borbulham transparências e não mira os que lhe são próximos como estranhos passageiros de uma viagem sem pouso, praias ou horizontes.
Felizes aqueles que abandonam no passado seus excessos de bagagem e, coração imponderável, recolhem à terra a pipa do orgulho e do tédio; generosos, ousam a humildade.
Ano-novo a todos que despertam hoje ao som de preces e agradecem o tido e não havido, maravilhados pelo dom da vida, malgrado tantas rachaduras nas paredes, figos ressecados e gatos furtivos.
Bom ano a quem gosta de feijão e se compraz nos grãos sobrados em prato alheio; a vida é dádiva, contração do útero, desejo ereto, espírito glutão insaciado de Deus.
Novo seja o ano àqueles que nunca maldizem e possuem a própria língua, poupam palavras e semeiam fragrâncias nas veredas dos sentimentos.
Seja também feliz o ano de quem se guarda no olhar e, se tropeça, não cai no abismo da inveja nem se perde em escuridões onde o pavor é apenas o eco de seus próprios temores.
Novo ano a quem se recusa a ser tão velho que ambiciona tudo novo: corpo, carro e amor; viver é graça a quem acaricia suas rugas e trata seus limites como cerca florida de choupana montanhês.
Tenham um feliz ano todos que sabem ser gordos e felizes, endividados e alegres, carentes de afago, mas repletos de vindouras fortunas em seus anseios.
Feliz ano-novo aos órfãos de Deus e de esperanças, e aos mendigos com vergonha de pedir; aos cavaleiros da noite e às damas que jamais provaram do leite que carregam em seus seios.
Felizes sejam, neste ano, os homens ridiculamente adornados, supostos campeões de vantagens; aqueles que nada temem, exceto o olhar súplice do filho e o sorriso irônico das mulheres que não lhes querem.
Felizes sejam também as mulheres que se matam de amor, e de dor por quem não merece, e que, no espelho, se descobrem tão belas por fora quanto o sabem por dentro.
Seja novo o ano para os bêbados que jamais tropeçam em impertinências e para quem não conspira contra a vida alheia.
Feliz ano-novo para quem coleciona utopias, faz de suas mãos arado e, com o próprio sangue, rega as sementes que cultiva.
Sejam muito felizes os velhos que não se disfarçam de jovens e os jovens que superam a velhice precoce; seus corações tragam a idade alvíssara de emoções férteis.
Muitas felicidades aos que trazem em si a casa do silêncio e, à tarde, oferecem em suas varandas chocolate quente adocicado com sorrisos de sabedoria.
Um ano feliz aos que não se ostentam no poleiro da própria vaidade, tratam a morte sem estranheza e brincam com a criança que os habita.
Feliz ano-novo aos sonâmbulos que se equilibram em fios que unem postes e aos que garimpam luzes nas esquinas da noite.
Um ano-novo muito feliz a todos nós que juramos seqüestrar os vícios que carregamos e não pagar o resgate da dependência; o futuro nos fará magros por comer menos; saudáveis, por fumar oxigênio; solidários, por partilhar dons e bens.
Feliz 2005 ao Brasil que circunscreve a geografia do paraíso terrestre, sem terremotos, tufões, furacões, maremotos, desertos, vulcões, geleiras, tornados, neves e montanhas inabitáveis.
Conceda-nos Deus a bênção de tantos dons, livres de políticos que constroem para si o céu na Terra com a matéria-prima do inferno coletivo.
enviada por Lucas
20/01/2005 00:31
Mas há ainda a sensação de que falta algo. Não adianta: a pergunta continua martelando no íntimo e continua pairando sobre nossos pensamentos. Afinal de contas, o que falta para que esse momento chamado agora seja belo, o mais belo de nossas existências? O que pode ser feito para que seja brilhante e pleno, que tenha um gosto de vislumbre do futuro, e que seja, como disse Chico Buarque, "um tempo que refaz o que desfez / que recolhe todo sentimento / e bota no corpo uma outra vez"?
Ah, o agora, esse momento tão efêmero, tão frágil, tão pequeno... mas apesar dessa fragilidade e pequenez, dentro dele cabem todos os nossos sonhos e anseios... pensar na efemeridade da vida e na pequenez do agora faz-nos pensar coisas grandiosas. Basta ter uma postura correta quando a percepção dessa efemeridade chegar à mente.
Vou explicar.
Vamos imaginar duas situações ligeiramente semelhantes que ocorreram com duas pessoas diferentes.
Na primeira situação, temos a Pessoa A. Tudo estava certo na vida da Pessoa A. Ela tinha um bom emprego, tinha encontrado o amor da sua vida, e tinha uma situação financeira estável. Sua vida era admirada, e ele se orgulhava de suas conquistas.
Mas um dia, veio a adversidade, e a Pessoa A perdeu algo que amava. Perdeu ou o amor de sua vida, ou o seu emprego no qual era tão respeitado, ou então seu melhor amigo. E seu mundo cai. Não sabe mais onde se escorar e nem em quem confiar. A exasperação toma conta de seu coração. As horas ficam presas dentro do relógio, os dias se alongam. Preso à dor, a Pessoa A vai ao bar, pede uma dose dupla da bebida mais forte, olha para a dose por alguns instantes e pensa:
"Como a vida é efêmera..."
E toma essa dose, sem se dar conta de si mesmo, do milagre da vida. A vida para ele naquele momento era apenas a dose e sua dor.
Agora temos a Pessoa B. Tudo também estava certo na vida da Pessoa B. Ela, assim como a Pessoa A, também tinha um bom emprego e também tinha encontrado o amor da sua vida, e também tinha uma vida financeira estável. E tal qual a Pessoa A, a Pessoa B também era bastante respeitada.
Mas um dia, veio também a adversidade sobre a Pessoa B. E nesse dia ela descobriu que, devido a uma doença grave em seu esôfago, teria de se alimentar por uma sonda até que seu quadro clínico se tornasse normal. Porém, por parte dos médicos, não havia expectativa de que seu quadro se tornasse normal tão cedo.
Nesse momento, a ansiedade e a exasperação também tomam conta de seu coração. "Será que um dia poderei comer outra vez um leitãozinho à pururuca, uma bela bisteca, um torresminho?", pensa ele. Talvez nunca mais pudesse comer de novo as coisas que amava...
Meses depois ainda estava ele internado, se alimentando por uma sonda, cansado de suas limitações alimentares e de sua situação. E quando menos esperava, recebe a grande notícia: seu quadro agora era normal! Em uma semana poderia retomar aos poucos sua dieta! Seu pensamento era uma alegria só. Mal podia contar os dias e as noites, deitado em sua cama de hospital.
Uma semana depois, recebe a primeira refeição dos últimos meses: um belo prato de legumes. "Legumes!", pensa ele, "eu odeio legumes! Eu quero torresmo!"
Mas, nesse momento de descontentamento acontece algo, e pelo seu pensamento passa um resumo de seus últimos meses, desde o dia em que a adversidade cruzou seu caminho. O dignóstico. A internação. O tratamento. Suas limitações e angústias. E o fim delas. Depois disso, a Pessoa B olha para o prato de legumes por alguns instantes e pensa:
"Como a vida é efêmera..."
Então, aquele momento inicial de descontentamento torna-se um momento mágico. A Pessoa B se dá conta de que está viva, e devora aquele prato de legumes como se aquela fosse a mais fina das iguarias.
O que aconteceu com as Pessoas A e B? As duas saíram do mesmo ponto inicial, aconteceram coisas desagradáveis com ambas, e as duas acabaram meditando sobre a mesma coisa: "Como a vida é efêmera...". Porém, a partir desse pensamento, surgiram posturas diferentes. Aliás, não é engraçado isso? O mesmo pensamento gerando posturas diametralmente opostas. Um teve uma postura de exasperação, o outro, de gratidão...
O que eu quero dizer com essas duas histórias é que qualquer pessoa pode se dar conta facilmente da efemeridade da vida. Só que o que vai determinar a beleza do momento chamado agora (e consequentemente a beleza do resto da vida, pois a vida é feita de pequenos agoras consecutivos) é a postura diante dessa efemeridade. Isto posto, fico a pensar: duas histórias tão semelhantes, com fins tão diferentes. Será que a exasperação e a gratidão são sentimentos e posturas tão díspares assim? Será que a exasperação não pode ser transformada em gratidão através de uma breve meditação sobre essa efemeridade? Eu creio que sim. Temos que aprender a agradecer pelas coisas boas e ruins que acontecem conosco. Agradecer pelas boas é fácil: o sentimento de alegria e de prazer imediatamente disparam os sentimentos de gratidão em nossos corações. Já agradecer pelas ruins é bem difícil, pois nessa situação tendemos a deixar nossos corações serem tomados pela raiva, pela exasperação. Mas aí, sempre que surge esse turbilhão de sentimentos negativos, surge também um pensamento sobre a efemeridade da vida. E ele surge pequeno, grudado na parede da mente. Nessa hora, o que é necessário fazer é analisar e contemplar esse sentimento. E então aí percebemos algo incrível: o sentimento de efemeridade fez um buraquinho na parede da mente, e ao olhar dentro desse buraquinho, conseguimos ver a gratidão nos esperando do outro lado da parede. Agora é tarde: você viu a gratidão do outro lado. Agora ninguém vai segurá-la, pois por mais que você resista, vai chegar a hora em que você verá que a gratidão é muito maior que os sentimentos ruins que habitavam sua mente, e eles então perderão a força, e o Sol da gratidão raiará.
Ah, amigos, é preciso agradecer sempre.
A gratidão é mágica e traz vida aos olhos e à alma.
Hoje entendo por quê São Paulo, há séculos atrás, disse: "Dêem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus." (1o Tessalonicenses 5:18). Ele não disse isso para nos dar uma ordem, mas sim porque, como homem sofrido, sabia o que era necessário para continuar caminhando.
É isso.
enviada por Lucas
31/12/2004 21:43
Já reparou como eu e você somos pessoas abençoadas por estarmos aqui nesse mundo? Já parou para pensar na grandiosidade deste exato momento em que você está lendo essas linhas?
Nesse exato momento há uma borboleta voando,
Há uma criança rindo,
Há outra nascendo,
Há uma chuva caindo leve num jardim,
Há uma brisa passando num campo,
Há um rosto sendo acariciado,
Há alguém escrevendo suas idéias num papel,
Há uma fruta sendo mordida,
Há alguém conhecendo algo novo,
Há um lugar novo sendo visitado,
Há um sonho se tornando realidade,
E muitas e muitas outras coisas acontecendo...
Mas apesar de toda essa grandiosidade, de toda essa beleza, muitos estão reclamando de algo em suas vidas.
E por que é que há tantas pessoas queixando-se de suas vidas?
Por que tantas não percebem a grandiosidade desse momento que, em breve, não vai mais existir?
É grande esse mistério...
Mas muito maior do que o mistério dessa não-percepção, é o mistério do nosso dia-a-dia.
Já reparou que, desde o dia do seu nascimento, o seu suprimento de oxigênio não foi cortado, muito menos chegou pelo correio a boleta do Banco Celestial discriminando seus gastos com água?
Já reparou que você está respirando, que seu coração está batendo?
Já reparou que você tem olhos para ler o que está escrito nesse blog?
Já reparou no formato dos seus dedos,
Na textura da sua pele,
Na cor vibrante dos seus cabelos,
No cheiro da comida,
No som do chuveiro?
Olhe que coisa bela está acontecendo agora:
Você está aí sentado. Relaxe. Pense em cada músculo do seu corpo e mande cada um deles relaxar.
Faça isso com bastante calma. Respire com calma.
Pense nos músculos da sua testa, quase sempre enrugada por motivos não muito importantes.
Pense nos músculos dos seus ombros,
Dos seus braços,
Das suas costas,
Das suas pernas,
Dos seus dedos.
Ajeite-se na cadeira, caso você não tenha feito isso antes, e volte a pensar em tudo isso.
Sinta a mágica. Você percebeu que está vivo?
Pense:
Você tem todas as ferramentas para começar uma vida absolutamente nova no dia de hoje.
Você tem cérebro,
Mãos,
Braços,
Pés,
Olhos,
Vontades,
Sonhos,
Conhecimento...
Do que mais você precisa?
Levante-se! Por que é que você ainda está lendo o que está escrito aqui?? Há um milhão de sonhos lá fora querendo tornar-se realidade, e você pode ser o executor de um deles! O mundo nunca mais será o mesmo depois desse gesto, por menor que seja o sonho.
Não perca seu navegando na internet por hoje. Comece hoje mesmo a mudar.
Pegue o menor dos sonhos. Torne-o realidade.
Depois vá para o segundo menor,
O terceiro,
O quarto...
Depois disso, aquele sonho grande que você pensava que nunca iria alcançar vai acabar sendo alcançado, porque no decorrer dos sonhos menores você foi ganhando força, conhecimento, habilidade.
É isso que eu queria dizer por hoje.
Estou me levantando agora para começar a traçar o plano do meu próximo sonho, e gostaria que você fizesse o mesmo.
Que nesse novo ano seus sonhos mais queridos se realizem, caro leitor.
É isso!
Um abraço,
Lucas Bracher.
enviada por Lucas
08/12/2004 09:14
Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.
A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.
Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transporta-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu leva-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
-- Não há nada a fazer. Dona Coló. Esse menino é mesmo um caso de poesia.
(Carlos Drummond de Andrade).
enviada por Lucas
05/12/2004 16:53
"Sol com chuva, casamento de viúva", dizia (e ainda diz) quem mora na roça. Parece nonsense, mas faz sentido. Dizem os chineses que a chuva com sol anuncia mudanças grandes. Período de alegria. E o que pode ser mais alegre do que a figura de uma viuva se casando novamente, de sonhos nascendo de novo?
Saí ontem de casa debaixo de uma chuva com sol, preocupado, para ir conversar com um grande amigo meu a respeito do curso da minha vida. Um momento de decisão, tempo restante contado no relógio. Um mês para uma decisão de vida. O que fazer? A vontade que dá é enfiar a cabeça num buraco e esperar a decisão expirar. Só que isso não pode ser feito, a vida é uma só, e passa rápido. Quando a gente menos espera, nasce o primeiro fio de cabelo branco. Quando a gente menos espera de novo, a cabeça inteira está branca. A vida tem que ser tomada com as duas mãos, como uma bola de futebol americano. E corrida até a linha final. Tombos podem acontecer, mas perder a partida é inadmissível.
Foi importantíssima a conversa que tive com meu amigo. Fez-me lembrar de sonhos, de coisas que eu pensava e penso, de conceitos. Tomei algumas decisões. Decidi abandonar a autocomiseração, a autopiedade, a preguiça (tais pecados terríveis, piores do que matar e roubar, vocês sabiam?), e resolvi abraçar a minha vida como nunca antes.
Só que mais importante que essa conversa, foram duas coisas que se seguiram, e que tocaram profundamente o meu coração.
Há um mês, a gata desse meu amigo teve ninhada, e fui olhar seus filhotinhos. Que bonitos! Mas um deles me chamou a atenção. O nome dele é Tripé, e ele tem esse nome por ter nascido sem a pata dianteira esquerda. Aquela criatura indefesa, de olhos totalmente negros, me comoveu. Eu me vi na figura daquele gato. Não posso abraçar a carreira de violoncelista por várias causas, mas entre elas, está o fato de que possuo um problema no braço esquerdo que me impede de tocar um repertório mais saboroso. E vi aquele gato, quase na mesma situação que eu. Tomei-o nos meus braços a despeito dos protestos da Pacotinho e chorei. Mas aí fui tomado pelo seguinte pensamento: "Esse gato não sabe que não tem uma pata! Ele não tem como se lamuriar de uma coisa que não sabe! Ele vai andar quase normalmente, e nem vai saber que é diferente! Ele já nasceu assim! Para ele, isso é normal! É só um desafio a mais dentre os inúmeros outros." Que coisa... problemas físicos e buracos de alma sempre ficam. Eles sempre vão ficar lá. O que importa não são eles, mas a atitude que a gente toma diante deles. Não podemos ver nossas fraquezas como falhas, mas sim como desafios para dar mais sabor à vida. Obstaculos a serem superados para chegar lá e vencer.
Outra coisa que aconteceu na mesma casa e que me impressionou foi um menino autista com quem tive a oportunidade de me comunicar. Estava ao lado dele, na mesa de refeição, quando de repente ele saiu do seu mundo e me tocou. Pegou a minha mão, e senti que ele queria guiá-la para algum lugar. Deixei que fizesse isso, e ele a guiou para uma concha que estava na panela de molho de macarrão. Enchi a concha e coloquei em seu prato, e deixei minha mão ali. Ele a empurrou de volta para a panela. Deixei a concha lá e aguardei a próxima instrução, deixando a minha mão próxima a seu rosto. Ele guiou a minha mão para a garrafa de Coca-Cola. Pedi que ele segurasse o copo dele (ao que ele atendeu), e enchi seu copo. Coloquei a garrafa de Coca-Cola no lugar e aguardei a próxima instrução. Ele pegou meu braço e o abraçou, em agradecimento.
Isso me fez pensar em como sou limitado na expressão de meus afetos, de meus sentimentos... nunca consegui me expressar direito. Nunca consegui saber o que quero. E, de repente, me deparo com um menino com limitações mais sérias que eu, e que consegue se comunicar e expressar afeto. Se ele consegue, eu também consigo. Eu não sou melhor do que ele e ele não é melhor do que eu.
Esses dois se tornaram meus novos símbolos de luta. Um gato que não sabe de suas limitações e que as vence. Um garoto que vence o grande abismo entre o mundo interior e o exterior. Nunca me esquecerei desses dois encontros. Nunca me esquecerei daquele dia de chuva com sol, dia de mudança, dia de descoberta de um novo eu.
Parabéns, Dudu e Tripé. O mundo é de vocês.
enviada por Lucas
09/11/2004 00:26
Uma Parábola...
(agradecimentos ao meu amigo Ricardo Agreste pela idéia inicial.)
A que compararei o Reino dos Céus?
O Reino dos Céus é semelhante a uma grande corporação. Uma corporação muito, mas muito rica, a mais rica de todo o mundo, que tem por missão financiar a fundo perdido os projetos e sonhos das pessoas no mundo inteiro. Qualquer pessoa que deseja que seu projeto tome forma vai até à sede dessa corporação, que fica no prédio mais alto daquela bela cidade que fica bem no centro do mundo. E o prédio é tão belo que os pássaros não se furtam e não se cansam de voar em derredor, e seu esplendor é tanto que o simples olhar para esse prédio faz desaparecer qualquer ansiedade que possa estar na cabeça das pessoas. Apesar do fluxo constante de pessoas que entram no prédio, a paz e a quietude reina em todos os lugares no entorno.
No saguão desse prédio não há móveis nem funcionários, e nele não há pessoas paradas. Não há elevadores. Há apenas uma escada, quase interminável, que vai passando por uma batelada de burocratas que analisarão por diversas vezes cada projeto, e que acaba por terminar na porta da sala do presidente da companhia, onde cada pessoa apresentará seu projeto para ser aprovado. As pessoas que vão apresentar seus projetos ficam em fila, do lado direito dessa escada, reservando o lado esquerdo da escada para as pessoas que descem. Curiosamente, o lado esquerdo está sempre vazio e o lado direito sempre está cheio de pessoas. E essa fila anda vagarosamente, mas ninguém desiste de seu lugar nela. Pois, afinal de contas, o sonho de ver seu projeto de vida realizado vale muito mais do que o tempo gasto nessa fila interminável que anda vagarosamente.
E lá, nessa fila, estão as pessoas, carregando seus anseios, sonhos e desejos dentro de pastas de papel. A esperança pulsa em cada peito. Um pouco de ansiedade em algumas faces. Em muitos corações, vontade de seguir em frente. Em outros, uma saudade imensa de uma corporação menos burocrática.
Então, uma pessoa qualquer entra nessa fila, como tantas outras, com seu projeto. E ela estranha aquela visão, de todas as pessoas estarem concentradas na parte direita da escada enquanto a parte esquerda fica constantemente vazia. Mas como todos estão ali, daquele jeito, na parte direita, ela não fala nada e vai seguindo na fila.
Depois de muito tempo, essa pessoa está num ponto tal da fila que ela não consegue ver nem o início e nem o fim da fila. A única coisa que ela percebe é que, quanto mais para cima a escada vai, mais iluminada ela fica. E eis que, de repente, ela vê um homem descendo a escada. E o homem pára do lado dessa pessoa que sobe, e pergunta:
Oi!! Sobre o que é o seu projeto?
E a pessoa na fila, visivelmente cansada e irritada com a fila mostra, sem muito interesse, seu projeto para o homem. O homem arqueia as sobrancelhas, interessado, emitindo sons mudos de aprovação a cada página virada. Ao término da última página, o homem vira para a pessoa e diz:
Olha, eu gostei muito do seu projeto! É muito interessante mesmo! Você não gostaria de descer comigo para tomar um cafezinho e conversar sobre o projeto?
E a pessoa responde educadamente que não, dizendo que, se ela for tomar o café, automaticamente ela perderia o lugar na fila, e depois, ao voltar, ela teria que enfrentar toda a burocracia da corporação para reapresentar o projeto. O homem disfarça seu desapontamento, sorri e diz que tudo bem. Mas antes de continuar sua descida, ele saca um cartão e diz à pessoa:
Olha, caso você mude de idéia, aqui está o meu cartão. Pode me chamar quando você quiser.
A pessoa agradece gentilmente, disfarçando seu cansaço com um sorriso um pouco amarelo. Tão logo o homem some de vista descendo a escada, a pessoa guarda com pouco interesse o cartão num bolso qualquer. Porém, um misto de incômodo e de curiosidade toma essa pessoa. "Que estranho! Quem será esse homem que me entregou esse cartão? Ele foi o único a descer a escada até agora! Ninguém mais desceu!" E ela resolve olhar o cartão... e eis que, olhando o cartão, ela descobre que o homem que desceu era simplesmente o presidente da companhia! Ele, o próprio presidente da companhia, descendo para tomar um café! O presidente da maior companhia do mundo! Um pensamento passa por sua cabeça, e um vento frio toma sua espinha: "Ele me chamou para tomar um café para que eu apresente o projeto a ele! E agora? Continuo aqui ou desisto do meu lugar na fila? Se eu ficar aqui, talvez meu projeto passe por toda burocracia, talvez não... mas se eu sair, eu apresento o projeto direto para o presidente! Mas se eu fizer isso, vou ter que desistir de tudo o que fiz até agora..." e a pessoa fica pensando nas possibilidades...
E você? O que faria? Largaria seu lugar na fila ou continuaria nela?
enviada por Lucas
26/10/2004 20:25
Notícias...
Olás, amigos. Estou escrevendo para dar notícias.
Bom, depois de anos, estou começando a ganhar meu dinheirinho. Estou estagiando numa empresa de informática ótima, com um ambiente muito bom.
A graduação está indo bem. Infelizmente estou fazendo poucos créditos. Gostaria de estar fazendo mais, mas o tempo e o meu desejo por sanidade mental não permitem.
Tenho lido muitos livros. Comecei a ler hoje a Pequena Filocalia, um pequeno apanhado de textos vindo da Filocalia, escrito por monges e padres da Igreja Oriental. Que engraçado: o significado do título do livro em português é 'Amor à Beleza', e o livro é um tratado sobre a vida devocional cristã e sobre a oração. Oração, beleza, verdade, saudade... tantos conceitos, tantas coisas entrelaçadas... é isso que Deus quer de nós: que nós cresçamos para que possamos ter vidas bonitas. Deus quer de nós a maior de todas as belezas. Deus quer de nós a beleza na qual todas as outras belezas e virtudes se espelham...
Minha vida tem sido uma meditação constante. Não consigo mais ficar parado no ponto de ônibus sem ter algo para ler que me confronte. Tenho lido livros de psicanálise, de teologia, enfim: qualquer assunto que não me permita ficar como estou. O que eu quero é crescer. Eu não tenho mais medo de mim mesmo. E, meus amigos, convido todos vocês a viverem essa busca, essa busca pela Beleza, pela Verdade, por Deus. E essa busca nasce numa coisa que todos nós temos: a saudade. Vocês sabiam? Sabiam que a saudade é a coisa mais bela que temos? Ela é um diamante precioso, guardado lá dentro do peito, um combustível poderoso, tanto para nosso crescimento quanto para nossa destruição. E eu tenho usado a minha saudade para o meu crescimento. E vejo que isso tem impactado a vida das pessoas à minha volta. E eu digo a vocês, amigos, que é uma honra para mim escrever, dizer e viver coisas que confrontam a vida de vocês. Por muito tempo eu fui confrontado e me neguei a crescer. Mas um dia a corda arrebenta, somos lançados no deserto, e daí a gente tem que escolher o que fazer: ou nos entregamos ou lutamos e crescemos. E o que eu quero para vocês é que vocês cresçam! :)
Bom, o que eu queria com esse post era dar notícias, mas acabei fazendo mais... quase que esse post vira uma meditação gigantesca. Aliás, prometi escrever a respeito da saudade e do perdão, não é? Podem deixar, vou escrever aqui em breve. Mas inverterei a ordem prometida: primeiro postarei sobre a saudade. Depois sobre o perdão. Mesmo porque eu descobri que a saudade é que faz surgir o perdão. Sem saudade, não há perdão.
Esse foi só um aperitivo. Na semana que vem eu posto sobre a Saudade e conversamos mais.
enviada por Lucas
30/09/2004 13:50
Olás, amigos.
Sim, eu sei. Não postei nada nesse último mês. Realmente eu não tenho tido tempo para sentar no computador e escrever. Mas apesar disso, minha cabeça tem estado a mil. Tenho pensado e meditado muito a respeito de coisas fundamentais dessa vida. Coisas como o perdão, a culpa, o medo, a vingança, a bondade e a beleza têm ocupado a minha mente. Tenho pensado na relação dessas coisas com a nossa vida, e tenho meditado muito sobre a questão do perdão. Tenho visto que o perdão pode transformar esse mundo em algo mais belo. Estou quase terminando uma meditação sobre essa questão. Espero que no máximo na semana que vem eu poste alguma coisa aqui a respeito.
Outra coisa que tem ocupado a minha mente é a questão da saudade. Mas não é saudade de algo ou de alguém. Tenho sim pensando na saudade daquela coisa que a gente não sabe bem o que é, e que surge quando a gente está olhando o pôr-do-sol, ou que surge quando a gente escuta Chopin. Saudade... vocês já sentiram isso, não sentiram? Uma saudade sem resposta... esse será o próximo tema que postarei aqui depois de postar sobre a questão do perdão.
Bom, passei por aqui mais para saudar a todos vocês. Cuidem-se! Em breve eu postarei aqui mais coisas.
enviada por Lucas
07/08/2004 18:12
Indivisíveis
O meu primeiro amor sentávamos numa pedra
Que havia num terreno baldio entre as nossas casas.
Falávamos de coisas bobas,
Isto é, que a gente grande achava bobas
Como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.
Crianças...
Parecia que entre um e outro nem havia ainda separação de sexos
A não ser o azul imenso dos olhos dela,
Olhos que eu não encontrava em ninguém mais,
Nem no cachorro e no gato da casa,
Que tinham apenas a mesma fidelidade sem compromisso
E a mesma animal - ou celestial - inocência,
Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:
Não, não importava as coisas bobas que disséssemos
Éramos um desejo de estar perto, tão perto
Que não havia ali apenas duas encantadas criaturas
Mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,
Enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabia
Que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida...
(Mário Quintana)
enviada por Lucas
06/08/2004 20:47
Alfred Tennyson e o sonho...
"...no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia... despertou o Senhor o espírito de Ciro... de modo que ele fez proclamar... este decreto:... O Senhor Deus do céu... me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém..."
(Segundo Livro de Crônicas, capítulo 36, versos 22 e 23)
Sonhos são coisas engraçadas. Surgem na nossa mente do nada. Às vezes não sonhamos apenas dormindo. Muitas vezes sonhamos acordados, temos arroubos de inspiração vindos do nada e... puf! Surge um sonho na nossa cabeça, e temos muitas vezes vontade de perseguir esse sonho até o fim. Isso acontece comigo e com você várias vezes durante a vida. E eu fico imaginando que deve ter acontecido mais ou menos isso com o rei Ciro. Bom, imagino que você, leitor, não deva estar entendendo nada a respeito desses versículos e nada do que eu estou dizendo até agora... bom, o que aconteceu antes desses versículos transcritos foi que Israel tinha sido tomada pelos babilônios. Quando eles entraram em Jerusalém, eles destruíram tudo, inclusive o lugar que os judeus mais amavam, que era o templo. E o templo não era só um lugar onde eles se reuniam num determinado dia da semana. O templo era eles, o templo era o povo, era a sua identidade. A destruição do templo não foi apenas consequência de uma derrota política e militar. Foi também uma derrota moral, que cada judeu deve ter chorado amargamente. No dia da destruição do templo, alguma coisa também morreu no coração de cada um deles...
Só que a maravilha e a sensação de plenitude e de glória dos dias do templo ficaram ecoando pelo ar, mesmo depois do templo destruído. Havia algo que mantinha a esperança deles, algo que fazia com que eles continuassem vivendo. Sim, o templo seria reconstruído, e a glória da segunda casa seria maior do que a primeira. E a esperança desse momento foi ecoando pelo ar, ecoando... até que toda essa esperança ficou grande o suficiente e se tornou um sonho. Um sonho grande e lindo... agora o sonho só precisava de uma pessoa que pudesse sonhá-lo para que se tornasse realidade. E Deus acabou entregando o sonho para a pessoa que nenhum judeu pudesse imaginar: o rei da Pérsia!
Ora, o rei da Pérsia... o que ele tinha a ver com o templo? Nada! Ele não era judeu, não entendia nada de monoteísmo! Mas aconteceu um dia, imagino eu, que ele estava na varanda de seu palácio, tomando um chazinho, quando de repente... puf! Surgiu o sonho em sua mente! Reconstruir o templo! É isso! E eu fui anteontem para a cama, pensando nisso. E nisso, na minha mente, surgiu um sonho, não desses que eu estou falando, mas sim daqueles sonhos que a gente sonha dormindo. E creio que na minha vida inteira nunca tive um sonho tão real e tão incrível quanto este.
Vi no meu sonho uma escola de segundo grau, bem ao estilo dessas "High Schools" americanas. Nessa escola, um grupo bem heterogêneo de grandes amigos, era mais ou menos umas 10 pessoas. Um belo dia, um padre muito brincalhão e bem para cima surgiu do nada e fez amizade com eles. Todos se reuniam ao redor do padre para ouvir o que ele falava, e as palavras dele caiam fundo no coração de cada um, e cada um se sentia inspirado e grato por ouvir o que aquele homem falava.
Só que alguns dias depois de sua chegada, o padre precisou partir. Disse que precisava de tratar de outros negócios em outro lugar. Mas antes de ir e deixar saudade no coração daqueles amigos, ele os presenteou com um exemplar de um livro de poemas de Alfred Tennyson. E partiu para a estrada.
Agora o padre tinha ido embora. Era apenas eles e o livro. O grupo de amigos viu aquele livro não como um livro, mas como um pequeno tesouro. E o livro passou de mão em mão entre eles, e enquanto folheavam o livro, cada um deles acabou se apaixonando por um poema diferente. Cada um deles leu seu poema-paixão com um sorriso diferente no rosto. Só que quando cada um terminou de ler seu poema e levantou os olhos do livro, aconteceu algo extraordinário com eles: eles viram que os olhos deles tinham ficado encantados! Eles começaram a ver o mundo com outros olhos, viram que a escola deles não era apenas uma escola, era um celeiro de idéias para fazer valer o melhor futuro possível, um canteiro para pequenas gentilezas crescerem, um lugar em que os sonhos esquecidos e destruídos ressuscitariam e tomariam forma e voz... eles sonharam como o rei Ciro sonhou, eles sonharam sonhos de outras pessoas, sonhos lindos que iam remoçando cada vez que o coração de cada um batia.
Agora eles não tinham como escapar. Não tinham como dizer não. Arregaçaram as mangas e começaram a praticar pequenas gentilezas com as pessoas e com as coisas ao redor. Um sorriso aqui, uma flor ali... e as pessoas ao redor deles viram que algo diferente e novo estava acontecendo. Uma centelha nova surgia a cada atitude e a cada sorriso deles. Até que um deles teve a idéia de pegar seu poema-paixão, xerocar e distribuir a seus amigos. E sabe o que aconteceu com seus amigos que leram esse poema xerocado? Os olhos deles ficaram encantados também! Eles também ficaram entusiasmados pela vida, não só pela própria vida, mas também pela vida das outras pessoas! E os outros amigos daquele grupo inicial acabaram fazendo o mesmo, e aconteceu que toda a escola se tomou daquela nova vida...
Mas os professores (ah, os professores...) perceberam aquela movimentação nova na escola. Ao invés de se deixarem encantar também, se inquietaram. Escola não era lugar para insubordinação! Como é que eles poderiam fazer tudo aquilo sem o consentimento da diretoria? Nada disso! E proibiram que livros de poesia circulassem pela escola, e papéis xerocados deveriam ser vistoriados e certificados de que não poderiam conter nenhum tipo de poesia subversiva...
Só que a chama ardia no peito deles. Ela não poderia se apagar, agora nem havia como... a poesia tinha se tornado viva como os sonhos que ela havia despertado. A voz deles não poderia se calar... então eles começaram a declamar, a levar a poesia de boca em boca, ao pé do ouvido, a escrever trechos nas portas dos banheiros, declamar em alta voz no meio do páteo... os olhos de quem ouvia tudo aquilo se enchia de um brilho novo, gargantas se enchiam de nós, sonhos esquecidos eram lembrados...
Deixei o sonho para que você terminasse, caro leitor. Agora esse sonho pertence a você. Eu tive que me levantar no meio da madrugada, na hora em que a estrela da manhã ia dormir, para anotar esse sonho. Não posso continuar. Eu não sei o que aconteceu àqueles jovens insubordinados. Eu não sei o que aconteceu à diretoria. E muito menos, não sei o que aconteceu com a escola e com todos os alunos que escutaram os poemas. Deixei que você decidisse o final. Mas antes de decidir, pergunte primeiro aos seus sonhos esquecidos como é que eles querem que essa história acabe. Mas tome cuidado! Seus olhos podem acabar ficando encantados também... :)
P.S.: eu nunca li nada de Alfred Tennyson, sequer cheguei perto de um livro dele até hoje. Bom, mas que esse sonho me deixou curioso a respeito de sua poesia, ah, isso me deixou... :)
enviada por Lucas
19/07/2004 18:38
Eu não sei o que tem acontecido comigo. Tenho sentido tão pouca vontade de escrever, parece até que a fonte secou... e tenho sentido falta de escrever. Acho que essa vontade acontece porque no momento estou focado na minha música enquanto estou aqui em Minas...
Música... hoje começou o Festival de Música Antiga daqui de Juiz de Fora. Não sei descrever direito a vocês como é esse ambiente. Creio que no momento, a única palavra que tenho para descrever tudo isso é a palavra 'mágico'. O colégio onde o Festival está acontecendo se tornou uma ilha de paz. Há instrumentos antigos pipocando por todos os lados. É realmente um milagre ver um bando de moleques tocando aquelas músicas de três séculos atrás com um vigor de como se elas estivessem saindo do forno agora. Meu violoncelo oficial, a Billie Holliday, está com cordas de tripa, conforme manda o costume barroco. Tudo pronto para fazer aquele som. Agora é curtir esse momento... :)
Juiz de Fora está bastante fria. Aqui tem garoado muito. E por incrível que pareça, esse tempo fechado não está me abatendo. Nossa, se fosse no ano passado, estaria debaixo das cobertas e não levantaria nem para comer. E hoje não foi assim: me levantei, enfrentei o tempo ruim e fui para a rua... olhei para a garoa e ri... senti que meu coração estava gigantesco. Nunca tinha me sentido tão bem assim!
Bom, acho que é só isso que eu tenho a dizer hoje. Eu queria dizer mais coisas, mas acho que as palavras estão com medo do frio. Um dia eu crio coragem e coloco mais um daqueles posts profundamente filosóficos. Aguardem! :)))
enviada por Lucas
09/07/2004 14:11
Olás, amigos.
Estou escrevendo a vocês para informar que terça-feira passada cheguei a Minas. Aliás, a minha vinda para cá foi uma coisa um bocado curiosa. Eu tinha resolvido que chegaria de surpresa, sem avisar a ninguém. Porém, como eu ainda não tenho minha independência financeira e para mim, como para todo bom cidadão brasileiro, as coisas andam meio apertadas, tive que contar meu plano para meu irmão para que ele fosse não só meu cúmplice, mas também meu patrocinador nessa surpresa um tanto estranha...
Pois bem, pedi a ele que me emprestasse o equivalente ao preço da passagem de vinda, e fiz meu planejamento de modo que, na noite em que eu viesse para minha cidade, eu tivesse o necessário para comprar minha passagem e ter mais uns trocados para ônibus urbano e um lanchinho. Não iria sobrar mais nada, nem no meu bolso e nem na conta corrente. E na noite de segunda-feira, lá estava eu, minha bolsa e meu violoncelo, os três prontos para comprar a passagem para casa. Cheguei ao guichê e saquei do bolso os trinta reais da passagem.
"Juiz de Fora, 21:30."
"Aumentou, grande.", falou o atendente."Agora tá R$ 48."
O atendente deve ter tido uma visão interessante dos meus olhos esbugalhados através do vidro sujo do guichê. Além dos R$ 30 reais, eu só tinha mais uns trocadinhos... eu precisava de pelo menos mais R$ 14 para fazer a viagem sossegado. Não sabia o que fazer. Pensei em ligar para a minha casa e pedir o socorro dos meus pais, mas se eu fizesse isso, eles descobririam o meu plano e estragaria a surpresa, e além disso, o tempo era escasso, faltava apenas uma hora para o ônibus sair. Resolvi ligar para o meu irmão, em Juiz de Fora, para pedir a ele que depositasse mais um pouco de dinheiro para mim na minha conta corrente. Se eu tivesse muita sorte, ele conseguiria ir correndo ao centro da cidade, depositar o dinheiro para mim, e eu, graças ao milagre das transferências on-line, conseguiria logo antes de o guichê fechar, sacar o dinheiro, comprar a passagem e correr esbaforido até o ônibus que me levaria até a terra que amo. Um plano arriscado, mas possível. Mas eu não podia mais contar com a sorte. A probabilidade de eu não ir para Minas naquela noite era grande... senti que eu deveria fazer uma loucura. Olhei para o meu violoncelo, olhei para as cadeiras vazias, pensei, pensei... é, tocar violoncelo na rodoviária para arrecadar fundos não seria uma má idéia. Vi que essa era uma experiência de que eu precisava... Procurei o zelador da rodoviária, expliquei a minha situação e perguntei a ele se eu poderia fazer isso.
"Ó, grande, a diretoria proíbe pedinte aqui dentro. Você pode tocar seu violão grande aí aqui dentro, mas sem pedir dinheiro para as pessoas. Lá fora tá liberado, cê pode pedir e fazer o que você quiser."
"Mas não tenho como tocar lá fora, preciso de uma cadeira. Vocês podem me emprestar uma cadeira?", retruquei.
O zelador (o nome dele era Demerval. Tava escrito no crachá, mas fiquei sem graça de pronunciá-lo) ficou com pena. Olhou para um lado, para o outro, e me falou:
"Olha, faz o seguinte então: pede pras velhinhas com cara de boazinhas que elas te dão dinheiro. Mas faz isso discretamente." Ele aproveitou, sacou a carteira e me deu dois reais. Maravilha! Agora só faltavam doze reais e 50 minutos para eu poder entrar no ônibus... :)
Resolvi seguir o plano sugerido pelo Demerval. Só que fiz um pouquinho diferente e de uma maneira mais criativa. Procurando uma primeira vítima, quero dizer, uma primeira pessoa a quem eu poderia pedir dinheiro, acabei vendo um casal de velhinhos assentado em um dos cantos da rodoviária. Cheguei morrendo de vergonha, realmente eu não sabia direito onde enfiar a cara. Mas lá estava eu na frente deles, com a minha cara de bobo, meio cabisbaixo, segurando a ponta da orelha. Agora não tinha mais volta:
"Oi! É que... eu... bem... é que, bem, será que os senhores poderiam me ajudar? Minha passagem aumentou mais de 50%, estou sem dinheiro para voltar para casa... só que o zelador da rodoviária me disse que é proibido pedir dinheiro aqui dentro da rodoviária, e realmente eu não estou pedindo, não... estou aqui para saber se os senhores aceitam uma prestação de serviço: eu faço uma serenata para vocês por módicos três reais. Os senhores aceitam?" Eles riram, pediram desculpas, e falaram que não tinham dinheiro para me dar naquele momento. Tudo bem. Imagino que com pedinte as coisas devam ser assim mesmo... eu já havia dado um monte de nãos para pessoas que me pediram dinheiro na rua. É claro que comigo não haveria de ser diferente...
Depois disso, vi duas senhoras conversando. Falei a elas o mesmo discurso, e elas me deram cinco reais! Eu daí a pouco estaria rico se as coisas continuassem assim! Perguntei a elas que música elas queriam ouvir. "Ih, não, meu filho! Não precisa tocar nada não." Então tá bom! Sobra mais tempo para eu pedir dinheiro... :)
Cheguei a um grupo de amigos e pedi a eles, e eles me disseram que estavam na mesma situação, precisando de dinheiro também. "Ótimo!", eu falei. "A gente podia montar uma empresa, um conjunto alguma coisa assim... eu toco, vocês cantam, e a gente divide a féria. Que tal? Depois a gente podia expandir a empresa, montar um plano de negócios, alavancar o capital, arrumar um angel investor... o que acham?", falei, brincando. Não sei porquê, mas ninguém do grupo riu...
Não sei o que me deu. Tive vontade de pedir dinheiro para um mano com gorro do Corinthians. Afinal de contas, perdido por um, perdido por mil. No final, toda experiência conta (falava essas coisas para mim mesmo porque no fundo eu estava morrendo de medo de pedir dinheiro para o cara). Fui lá. Não é que o mano sorriu e me deu cinquenta centavos? Falou que não precisava tocar não, que tinha me dado o dinheiro só pela boa história. Que bom! Ganhei dinheiro do mano e não tive nenhum osso quebrado. Então tá bom, mas ainda faltavam R$ 6,50...
Abordei mais um senhorzinho. Contei a história e ele me deu dois reais. Fiz menção de que abriria a capa para tocar para ele. "Não! Não precisa tocar nada não!". Vixi! Será que eu toco tão mal assim? Eu hein... :)
Só sei que no final eu já estava louco para terminar de juntar o meu dinheiro. Vendi meu cartão telefônico por três reais para um colecionador, e uma outra pessoa viu meu esforço e acabou me dando mais dois reais para completar. Eu nem acreditava. Eu tinha conseguido! Foi uma sensação bastante interessante, uma felicidade meio roubada. Bom, uma experiência a mais para a minha bagagem. Fui lá, comprei a minha passagem, feliz da vida. E como ainda faltavam 15 minutos para o ônibus, resolvi fazer uma coisa como agradecimento. Fui até as duas senhorinhas que haviam me dado R$ 5, pedi licença a elas, tirei o violoncelo da capa e toquei o prelúdio da primeira suíte de violoncelo de Bach em homenagem a elas. Foi um momento bem interessante. As pessoas à minha volta, que antes estavam apressadas e nervosas, ficaram calmas, pararam de conversar, e se reuniram à minha volta para ouvir o que saía de dentro daquele "violão esquisito". Parecia que a rodoviária inteira tinha parado. Um monte de olhares curiosos, alguns até um pouco emocionados. Crianças embasbacadas. Acho que aquele momento foi um momento de felicidade dentro daquele ambiente tenso. Terminada a música, alguns aplausos, e uma das senhorinhas resolveu me dar mais dois reais "para um cafezinho". Depois daquilo tudo, eu estava realmente precisando de um cafezinho... :)
Bom, cá estou eu. Ficarei aqui por um mês, descansando e curtindo a minha família e meus amigos. Quando agosto desabar sobre todos nós eu retornarei a Campinas.
Boas férias a todos! :)
enviada por Lucas
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