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09/11/2004 00:26
Uma Parábola...
(agradecimentos ao meu amigo Ricardo Agreste pela idéia inicial.)
A que compararei o Reino dos Céus?
O Reino dos Céus é semelhante a uma grande corporação. Uma corporação muito, mas muito rica, a mais rica de todo o mundo, que tem por missão financiar a fundo perdido os projetos e sonhos das pessoas no mundo inteiro. Qualquer pessoa que deseja que seu projeto tome forma vai até à sede dessa corporação, que fica no prédio mais alto daquela bela cidade que fica bem no centro do mundo. E o prédio é tão belo que os pássaros não se furtam e não se cansam de voar em derredor, e seu esplendor é tanto que o simples olhar para esse prédio faz desaparecer qualquer ansiedade que possa estar na cabeça das pessoas. Apesar do fluxo constante de pessoas que entram no prédio, a paz e a quietude reina em todos os lugares no entorno.
No saguão desse prédio não há móveis nem funcionários, e nele não há pessoas paradas. Não há elevadores. Há apenas uma escada, quase interminável, que vai passando por uma batelada de burocratas que analisarão por diversas vezes cada projeto, e que acaba por terminar na porta da sala do presidente da companhia, onde cada pessoa apresentará seu projeto para ser aprovado. As pessoas que vão apresentar seus projetos ficam em fila, do lado direito dessa escada, reservando o lado esquerdo da escada para as pessoas que descem. Curiosamente, o lado esquerdo está sempre vazio e o lado direito sempre está cheio de pessoas. E essa fila anda vagarosamente, mas ninguém desiste de seu lugar nela. Pois, afinal de contas, o sonho de ver seu projeto de vida realizado vale muito mais do que o tempo gasto nessa fila interminável que anda vagarosamente.
E lá, nessa fila, estão as pessoas, carregando seus anseios, sonhos e desejos dentro de pastas de papel. A esperança pulsa em cada peito. Um pouco de ansiedade em algumas faces. Em muitos corações, vontade de seguir em frente. Em outros, uma saudade imensa de uma corporação menos burocrática.
Então, uma pessoa qualquer entra nessa fila, como tantas outras, com seu projeto. E ela estranha aquela visão, de todas as pessoas estarem concentradas na parte direita da escada enquanto a parte esquerda fica constantemente vazia. Mas como todos estão ali, daquele jeito, na parte direita, ela não fala nada e vai seguindo na fila.
Depois de muito tempo, essa pessoa está num ponto tal da fila que ela não consegue ver nem o início e nem o fim da fila. A única coisa que ela percebe é que, quanto mais para cima a escada vai, mais iluminada ela fica. E eis que, de repente, ela vê um homem descendo a escada. E o homem pára do lado dessa pessoa que sobe, e pergunta:
Oi!! Sobre o que é o seu projeto?
E a pessoa na fila, visivelmente cansada e irritada com a fila mostra, sem muito interesse, seu projeto para o homem. O homem arqueia as sobrancelhas, interessado, emitindo sons mudos de aprovação a cada página virada. Ao término da última página, o homem vira para a pessoa e diz:
Olha, eu gostei muito do seu projeto! É muito interessante mesmo! Você não gostaria de descer comigo para tomar um cafezinho e conversar sobre o projeto?
E a pessoa responde educadamente que não, dizendo que, se ela for tomar o café, automaticamente ela perderia o lugar na fila, e depois, ao voltar, ela teria que enfrentar toda a burocracia da corporação para reapresentar o projeto. O homem disfarça seu desapontamento, sorri e diz que tudo bem. Mas antes de continuar sua descida, ele saca um cartão e diz à pessoa:
Olha, caso você mude de idéia, aqui está o meu cartão. Pode me chamar quando você quiser.
A pessoa agradece gentilmente, disfarçando seu cansaço com um sorriso um pouco amarelo. Tão logo o homem some de vista descendo a escada, a pessoa guarda com pouco interesse o cartão num bolso qualquer. Porém, um misto de incômodo e de curiosidade toma essa pessoa. "Que estranho! Quem será esse homem que me entregou esse cartão? Ele foi o único a descer a escada até agora! Ninguém mais desceu!" E ela resolve olhar o cartão... e eis que, olhando o cartão, ela descobre que o homem que desceu era simplesmente o presidente da companhia! Ele, o próprio presidente da companhia, descendo para tomar um café! O presidente da maior companhia do mundo! Um pensamento passa por sua cabeça, e um vento frio toma sua espinha: "Ele me chamou para tomar um café para que eu apresente o projeto a ele! E agora? Continuo aqui ou desisto do meu lugar na fila? Se eu ficar aqui, talvez meu projeto passe por toda burocracia, talvez não... mas se eu sair, eu apresento o projeto direto para o presidente! Mas se eu fizer isso, vou ter que desistir de tudo o que fiz até agora..." e a pessoa fica pensando nas possibilidades...
E você? O que faria? Largaria seu lugar na fila ou continuaria nela?
enviada por Lucas
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