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09/05/2005 13:01
Quando o inverno vem chegando e as sombras vão se alongando junto com a duração das noites, dá uma pontada de melancolia no coração. Também pudera: o verão, que tinha chegado com tanta luz, fazendo tudo parecer mais alegre, de repente resolve fazer as malas para luzir em outro canto, sem maiores explicações. Nessa hora, quando a luz vai embora, tudo fica um pouco mais triste, e dá uma vontade no peito de ir junto com o sol...
Na minha infantilidade, penso às vezes que o inverno, ao chegar, resolve roubar por puro ciúme a beleza das coisas. Se eu pudesse colocar palavras na boca do inverno eu colocaria as seguintes: "Já que eu não posso dar a beleza às coisas, como o verão dá, então eu vou roubá-la de todas as coisas!".
Só que nessa hora eu resolvo pensar um pouco mais a fundo sobre as
coisas que perderam a beleza como fim do verão e concluo o seguinte: as coisas que ficaram feias por falta de luz não eram realmente bonitas. Elas apenas pareciam ser. A luz do sol apenas maquiava sua feiúra. Com a falta de luz, brotou sua essência. Não, na verdade elas nunca foram feias. Apenas não foram suficientemente bonitas para resistir à falta de luz.
Comprei tulipas para mim nesse final de semana. Elas estavam lá na estante da floricultura, me chamando. Não resisti: tirei os últimos tostões da minha carteira para comprá-las. E não me arrependo, pois essas florezinhas é que me inspiraram a pensar na beleza das coisas e a escrevê-las aqui. Olhem só para as tulipas: é na época de frio e de pouca luz que elas florescem e emanam sua beleza. Elas são belas por natureza, não dependem da luz do sol para ficarem bonitas. Sua beleza estarrece a lógica da natureza. Surgem do inesperado, do frio, do tempo nublado, da falta de luz. E no meio desse ambiente inóspito e escuro, elas luzem, fazendo-nos lembrar do que é realmente belo.
Às vezes, na minha arrogância, chego a pensar que sou belo. Belo de coração, de caráter, de vida. Na verdade, não sou. Apenas pareço ser. Pareço ser porque houve um e apenas um homem belo sobre a face da Terra. E ele, com sua beleza, pode fazer com que todas as coisas possam parecer belas. E é nessa beleza que me ilumino, e me ilumino para que as pessoas vejam não a minha luz, mas a luz daquele que me ilumina. Digo isso porque, por várias vezes eu pensei que tinha luz própria, e das vezes que pensei nisso e resolvi sair do foco da luz, vi a minha escuridão. E não só eu vi, outros viram também. Viver da luz daquele que brilha eternamente é uma grande lição de humildade...
Agradeço a Deus por ter me concedido a graça de conhecer essas tulipas.
Agradeço a Deus a oportunidade de viver não pela minha luz.
E quando o Sol voltar, que eu me lembre que as coisas debaixo do sol
apenas pegam emprestada a sua luz, e que eu tenho uma luz que foi comprada e me dada de graça.
Que essas palavras e essas tulipas alegrem o coração de vocês assim como alegrou o meu.

enviada por Lucas
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